ANATOMIA DA CABEÇA E PESCOÇO

Crânio humanoQuando tratamos da localização do ser humano na história da vida não podemos perder a dimensão de que todos os seres vivos, para começar, tiveram que conhecer as características notórias do processo de evolução pelo qual passaram todas as criaturas vivas deste planeta. Os humanos não existem em isolamento, ao contrário, representam uma pequena parte do domínio da vida e, num sentido mais amplo, representam uma parte ainda menor da totalidade das coisas conhecidas. O corpo humano para desempenhar suas atividades foi apropriando-se de experiências que existiram no pano de fundo da vida na terra, em conexão com o universo, com a finalidade de construir o seu desenho corporal atual. Da mesma forma que os outros animais, o homem alimenta-se, cresce e se multiplica. Sendo sensível ao ambiente com o qual estabelece relações adaptativas, de modo a proteger a sua vida, diferentemente dos outros animais desenvolveu grande capacidade de percepção, emoção e razão, o que fez com que esta criatura se tornasse um intrigante habitante deste planeta. No universo das coisas vivas e não vivas, quando analisado o lugar do homem na natureza, nos reportamos às coisas vivas e o colocamos no reino animal, filo dos cordados, subfilo dos vertebrados e na superclasse dos tetrápodes. Estes últimos tiveram que lutar contra a força da gravidade para conquistar a terra, suas pernas foram ficando maiores e mais fortes. Na sua maioria, os tetrápodes têm quatro pernas e podem ter endoesqueleto ou exoesqueleto. O ser humano pertence à classe dos mamíferos, é dotado de um endoesqueleto razoavelmente forte e passa toda a sua vida em terra firme. Para ter-se uma ideia, o esqueleto representa 18% do peso corporal humano. Do ponto de vista evolutivo a parte mais velha do esqueleto é uma série de ossos que se estende pelo dorso do indivíduo formando o eixo central do corpo no lugar ocupado originalmente pela “notocorda”. O nome comum deste sequenciamento de ossos é “espinha dorsal”. A coluna vertebral humana desenvolveu uma série de curvaturas, em forma de S duplo, quando vista de lado. As vértebras humanas acham-se divididas em grupos diferenciados, sendo importante destacar que a primeira vértebra cervical, o atlas, modificou-se para permitir uma ligação eficiente com a cabeça, localizada no topo da coluna vertebral, onde ocorre a articulação com o osso occipital.

A cabeça encontra-se em posição ereta, o que permitiu a horizontalidade do olhar e a superposição de campos visuais relativamente ampliados. Continuando a observar a coluna vertebral, observamos cinco vértebras sacrais, que se diferenciaram de todas as outras, são fundidas no único osso chamado sacro. Este osso se articula com os ossos do quadril de cada lado, sendo proporcionalmente maior e mais forte no homem do que nos outros mamíferos, visto que a posição ereta do homem implica em sobrecarga neste osso para transferir o peso do corpo  deslocando-se em direção aos membros inferiores. Na extremidade superior da espinha dorsal está articulado o crânio (do grego - cranium). O desenvolvimento do crânio especializado na extremidade anterior do cordão nervoso original é o produto final de um processo evolutivo, no qual órgãos especializados para perceberem mudanças no meio ambiente seriam mais úteis se localizados na cabeça. Esta tendência para enriquecer a cabeça com órgãos sensoriais, a cefalização, começou com o subfilo vertebrado, tendo o gênero humano uma cabeça relativamente diferenciada, para se ter uma ideia a tendência evolutiva tem sido na direção de maior simplicidade e menor número de ossos individuais no crânio. Os peixes chegam a ter mais de 100 ossos no crânio, alguns répteis podem ter até 70, outros mamíferos até 40, em contraste com os 23 ossos do crânio humano, sendo que destes, apenas 8 formam a caixa craniana.

Algumas diferenças fundamentais devem ser destacadas na anatomia da cabeça humana: a face é dotada de músculos de expressão que indicam claramente as emoções da criatura humana; apesar de possuir uma área menor que a do crânio, ela aloja o órgão da visão, um grande captor de informações sobre o mundo; o nariz, um dos maiores sensores desenvolvidos na filogenia para a análise de periculosidade ambiental; a boca, a língua e os dentes, estes de estrutura morfológica diferenciada, sendo trocados entre a infância (dentição decídua) e a adolescência (dentição permanente), favorecendo a resistência, eficiência e especialização destes dentes para as diferentes funções da mastigação.

Quando um ser humano nasce, todos ficam ansiosos para que lentamente ele se aproprie da linguagem dos seus ancestrais. O homem é dotado de um complexo aparelho fonador exibindo uma alta complexidade de refinamento motor em relação aos músculos da laringe, o que faz dos humanos modernos os seres mais tagarelas a partir dos primatas antropóides.

Há razões científicas e consistência de pesquisas suficientes demonstrando que a complexidade do comportamento humano deveu-se ao surgimento da linguagem e sua evolução, que teve como foco as interações através da arte e do entendimento do sagrado. A arte primitiva e a crença nas divindades possibilitaram aos humanos arcaicos ensinarem às gerações futuras, seus saberes e sua cultura.

A cabeça, resultado do processo de cefalização, representa a qualidade e a complexidade do sistema nervoso que determina por sua vez o grau de complexidade de um organismo. Considerando-se o homem no topo da escala evolutiva é importante destacar, que o sistema nervoso humano não representa uma prova de nossa superioridade, mas ao contrário, ele representa o esforço evolutivo das espécies que conservaram desde as criaturas mais simples, os celenterados, células nervosas. Estas células entre outras, foram sendo adaptadas pelas criaturas de uma maneira geral. Em um dado momento, o homem aproveitou-se da marcante experiência da vida e incrementou o “córtex cerebral e cerebelar” com camadas de “matéria cinzenta” que culminaram na construção da atual mente humana. A mente está conectada há pelo menos 70 milhões de anos, pelos primatas comedores de insetos, tendo passado por um processo de formatação mais complexo pelos macacos antropóides e, finalmente, os humanos arcaicos desenvolveram uma intensa capacidade de interação entre as diversas áreas cerebrais.

É importante considerar que temos sido um resultado feliz de criaturas com cérebros maiores e mais interativos. Outros animais com cérebros maiores que o do homem, tem corpos tão grandes, que não foi possível competir em inteligência. Olhar para a nossa cabeça nos convida a perceber que o único meio seguro que temos para continuar no palco da vida será conhecermos a nós mesmos, percebendo a importância da evolução em nossas vidas e tudo o que foi compartilhado até agora na experiência com a natureza. Para tanto, é preciso ter o olhar do artista, desenvolvendo a sensibilidade, a natureza de cientista, promovendo uma análise critica e reflexiva do que é bom para nós e para a natureza, e a percepção do sagrado que nos remete a inúmeras indagações sobre o cosmo ou o universo.

Anatomia da cabeça e...
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